Michael Peuser Participa de Audiência Pública no Senado Federal

by edcordeiro on 29 de agosto de 2010

Falta de pesquisas no Brasil dificulta utilização da babosa como alimento e remédio
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O Brasil está atrasado em relação à utilização do Aloe Vera como suco vitalizante, afirmou em audiência pública nesta terça-feira (8) o pesquisador do Conselho Internacional de Ciência do Aloe (Iasc), Michael Peuser. No Brasil, o Aloe Vera é conhecida popularmente como babosa, apesar de utilizada mundialmente e em larga escala para vários fins, inclusive e principalmente na área de isotônico.

No Brasil, o uso de Aloe Vera é autorizado apenas para a produção de alguns cosméticos – principalmente para cabelos – e medicamentos fitoterápicos. Como alimento, segundo informações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a babosa apenas é permitida como aditivo aromatizante; ou seja, como parte da composição de alguns aromas.

Michael Peuser foi convidado a participar de audiência pública na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) para discutir os critérios adotados pelos órgãos competentes para o registro do uso da Aloe Vera e conhecer as reais propriedades do produto para a sua classificação.

Em sua exposição, o pesquisador explicou que existem 300 empresas no mundo fabricando produtos derivados do Aloe Vera, entre eles o suco vitalizante do produto, que não tem, segundo explicou, qualquer contra-indicação e é comercializado livremente em supermercados de vários países.

– Aqui [Brasil], diz-se que é bom para o cabelo. Mas essas empresas tiveram faturamento de U$ 112 bilhões somente em 2004 com produtos que contêm o Aloe Vera e nenhuma dessas 300 empresas é do Brasil – afirmou o pesquisado do Iasc, ao explicar ainda que a babosa não é um cactos, como muitos acreditam, mas sim um legume, da mesma família da cebola e do alho.

Michael observou ainda que há mais de quatro mil pesquisas científicas publicadas sobre os benefícios do Aloe Vera, que pode ser utilizado também, segundo explicou,como cosmético, no tratamento da pele, na prevenção dos efeitos colaterais causados pelo tratamento contra câncer (queda de cabelo, enjôo e queimaduras), e como antibiótico, entre outros.

– Infelizmente, é uma chance que o Brasil perde, pois, devido às condições climáticas do país, poderia ser o maior exportador mundial do produto – garantiu Michael.

Proibição

No Brasil, segundo explicaram os representantes do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e da Anvisa, o Aloe Vera é proibido como alimento por falta de pesquisas que comprovem a segurança alimentar e para a saúde do consumidor.

Segundo o chefe de Divisão do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal da Secretaria de Defesa Agropecuária do Mapa, Bernardo Albuquerque Medina, não há, no Brasil, pesquisas que comprovem os efeitos causados pela utilização do Aloe Vera, principalmente como bebida. Órgão responsável pelo registro de produtos de origem vegetal, o Mapa tem negado autorização para utilização da babosa no país, antes que o produto seja avaliado pela Anvisa.

– É preciso que a empresa interessada em produzir ou importar os produtos derivados do Aloe Vera apresentem provas de segurança à Anvisa. Não podemos permitir o registro sem que isso seja feito – garantiu o representante do Mapa.

Já a especialista em Regulação e Vigilância Sanitária da Gerência-geral de Cosméticos da Anvisa, Fabiane Quirino de Paula Silveira, afirmou que a agência só faz a avaliação de um determinado produto quando solicitado por empresa interessada em comercializá-lo. O fato de haver pesquisas internacionais que comprovem a eficiência e os benefícios do Aloe Vera como alimento, a princípio, segundo explicou, não é suficiente para que o Brasil autorize o seu uso internamente.

– A avaliação só vai ser feita à medida que for solicitada e que venha acompanhada das informações científicas que sustentem o uso do produto. O que nós não queremos é que alguém possa ter comprometimento da saúde por desconhecimento – explicou a representante da Anvisa.

Atrasados

Autor do requerimento para a realização da audiência, o senador Gilberto Goellner (DEM-MT), após assistir as exposições, reconheceu que o Brasil está muito atrasado em relação à utilização do Aloe Vera. Ele estranhou o fato de o Brasil não poder se orientar somente pelas pesquisas internacionais para autorizar o registro do suco de babosa no país.

– Realmente estamos muito atrasados aqui no Brasil. Permitimos todo tipo de bebida artificial que faz mal à saúde. Tudo é permitido. Mas um produto que é utilizado em todo o mundo, avaliado e sem efeitos colaterais tem que passar por tipo de burocracia. Isso é um espanto – criticou o senador pelo Mato Grosso.

O presidente da CRA, senador Valter Pereira (PMDB-MS), disse que falta divulgação sobre todos os benefícios da babosa. Ele reconheceu as deficiências de pesquisa no Brasil sobre esse vegetal e sugeriu que as empresas interessadas em comercializar tomem a iniciativa de apresentar as pesquisas que comprovem a segurança do produto.

– As empresas não devem esperar só pela iniciativa dos órgãos públicos. É preciso que façam o que for preciso – sugeriu Valter Pereira, que ainda citou o caso de uma empresa brasileira que comercializa irregularmente no país um cosmético a base do Aloe Vera, por falta de registro da marca.

Fonte: Valéria Castanho / Agência Senado

(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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