Drauzio Varella X Fitoterapia

by edcordeiro on 7 de setembro de 2010

Drauzio Varella, o médico mais popular do Brasil, questiona a eficácia das plantas e dos fitoterápicos e cria uma enorme polêmica.

A polêmica teve início com a entrevista concedida por Drauzio Varella à Revista Época, onde o mesmo fala sobre sua nova série no Fantástico, “É bom pra quê?”, que estreou no último 29 de agosto.

Assista agora a reportagem que esteve no ar no dia 05 de setembro de 2010 e que está dando o que falar.

O Presidente do Conselho Federal de Farmácia, Jaldo de Souza Santos, enviou, no último dia 19, uma carta ao médico Drauzio Varella, questionando-o sobre suas opiniões acerca de plantas medicinais e fitoterápicos manifestadas em entrevistas que concedeu à revista Época.

Varella respondeu, no fim da tarde, a carta de Souza Santos. Ele diz condenar a falta de estudos clínicos relacionados a esses produtos. Veja a carta do Presidente do CFF a Dráuzio Varella e a resposta do médico.

CARTA DO PRESIDENTE DO CFF, JALDO DE SOUZA SANTOS, AO MÉDICO DRAUZIO VARELLA

Brasília, 19 de agosto de 2010.

Dr. Drauzio Varella,

Tomamos conhecimento, com preocupação, sobre a sua opinião sobre plantas medicinais e fitoterápicos manifestada em matérias publicadas na revista “Época”. Plantas e fitoterápicos são, sim, objetos de estudos técnicos e científicos, inclusive por farmacêuticos. Neste sentido, temos a enorme satisfação de informar-lhe que o Conselho Federal de Farmácia (CFF), por meio de uma Comissão integrada por excelências em plantas, fitos e suas respectivas terapêuticas, vem estudando os mecanismos de ação, efeitos, reações adversas, interações entre os mesmos, alimentos e medicamentos alopáticos. As conclusões apontam para a eficácia do tratamento à base desses produtos.

De sorte que achamos precipitada a sua opinião, ao afirmar que a indicação de plantas e fitos para o tratamento de doenças é um erro, inclusive do Ministério da Saúde. Diante disso, solicito-lhe que repense as suas posições, para que o “Fantástico”, da “Rede Globo”, no qual o senhor fará uma série sobre o tema, não seja um programa que, além de deseducar, venha criar uma opinião negativa acerca das plantas e fitoterápicos, estudados e consagrados, sim, pela população, estudiosos, como farmacêuticos especialistas, além de outros profissionais da saúde, ainda que contrariando certos interesse econômicos.

Enviamos-lhe matérias publicadas em nossa revista, a “Pharmacia Brasileira”, e, também, a “Carta de Porto Alegre”, as quais abordam o tema.

Atenciosamente,

Jaldo de Souza Santos,
Presidente do Conselho Federal de Farmácia.

Clique nos links e veja matérias publicadas na revista “Pharmacia Brasileira” e a “Carta de Porto Alegre”, que abordam o tema plantas medicinais e fitos.

Novos fitoterápicos na rede pública

Professor Matos

Carta de Porto Alegre

CARTA-RESPOSTA DO MÉDICO DRAUZIO VARELLA AO PRESIDENTE DO CFF, JALDO DE SOUZA SANTOS

Caro professor Jaldo de Souza Santos:

Peço que o senhor não se preocupe com o conteúdo da série que faremos na TV. Minhas idéias sobre esse tema não são “precipitadas”. Desde 1995 coordeno um projeto de pesquisa de atividade antineoplásica e antibacteriana em plantas da região do rio Negro, com apoio da Fapesp. Nossa extratoteca contém cerca de 2200 extratos, dos quais alguns mostraram intensa atividade antitumoral ou antibacteriana.

Esses resultados têm sido apresentados em congressos e publicados em revistas especializadas nacionais e internacionais. Só uma pessoa desequilibrada faria uma série na TV para vilipendiar um campo de pesquisa ao qual tem dedicado 15 anos de atividade.

Em nenhum momento afirmei que não existem pesquisas com produtos naturais no Brasil. Seria negar a existência do projeto que coordeno e desprezar o trabalho realizado pelos jovens cientistas que a ele se dedicam em tempo integral, além de desqualificar as pesquisas realizadas nos laboratórios do país inteiro. O que condeno é a falta de estudos clínicos dignos desse nome. O senhor sabe melhor do que eu que a atividade encontrada num sistema experimental nem sempre se confirma na clínica.

Se eu tratasse meus pacientes com câncer com os extratos que mostraram atividade contra linhagens de células malignas em nosso laboratório, seria considerado criminoso. Por que essa regra não vale para os que receitam produtos que não passaram pelos estudos de toxicidade e as avaliações clínicas exigidas para os medicamentos convencionais?

Está certo receitar extrato de alcachofra para “dores abdominais causadas por problemas hepáticos e das vias biliares” como está na lista do Ministério? Ou xarope de guaco para problemas respiratórios sem ter idéia do diagnóstico? Em que revista de impacto foi publicado o estudo que comprova a eficácia da babosa ou da graviola no tratamento do câncer?

Em minha opinião, professor, enquanto admitirmos nesse empirismo irresponsável a Fitoterapia jamais será levada a sério no Brasil. A incrível diversidade de plantas em nossas florestas poderá ter muitas utilidades, mas entre elas não estará o uso medicinal.

Estou certo de que um Conselho respeitado como o Federal de Farmácia também não compactua com a divulgação das crendices sobre o poder de cura das plantas que se espalham pelo país, algumas da quais com a chancela de órgãos oficiais.

Ao contrário do que o senhor entendeu, para mim a Fitoterapia é um dos caminhos mais promissores para obtermos medicamentos eficazes e mais baratos do que os atuais. Talvez seja esse o futuro de uma indústria farmacêutica verdadeiramente nacional.

Para encerrar, professor, convido-o a fazer uma busca no Pubmed à procura de estudos clínicos de fase III envolvendo fitoterápicos.

Atenciosamente

Dráuzio Varella

E você? Qual a sua opinião a respeito do que foi noticiado acima? Você acredita que somente os medicamentos produzidos pelos grandes laboratórios são eficazes nos tratamentos de enfermidades? Todo o conhecimento obtido ao longo do tempo, passado de geração em geração deve ser desconsiderado? Será que existe algum interesse econômico por trás dessa série de reportagens?

Coloque o seu comentário abaixo, para que possamos iniciar um debate sobre o tema de forma imparcial, sem conteúdo de caráter pejorativo, respeitando as opiniões em sentido contrário, de maneira respeitosa e sem ofensa às pessoas citadas na matéria.

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